sexta-feira, 28 de fevereiro de 2025

Descomplica

Dom - 16.02.2020 - 09 h 45 m

Pé de alguém,
Vê se pede algo
Que  não 
Seja
Só pra
Si,
Também.

Fé demais,
Vê se sua alma
Não fede
Tão bem
Quanto
As
Demais.

Dez culpas
Não são
Desculpas
Pra jogar
Pedras
Nos
Outros

Faz delas
Alicerce,
Sem remorso,
No re moço
Do tempo,
Com o seu
Silêncio,

E descobre
O encanto
De ser 
Presente,
Antes
Que se faça
Inexistente,

Sem colocar
Ninguém 
No 
Canto,
Com
Seu
Canto.

sábado, 22 de fevereiro de 2025

Sozinhos

Sab - 28.09.2019 - 04 h 32 m

De presente temos
O teu passado,
Aguardando,
Insistentemente,
O futuro,
Pra te sermos
Presente de novo,

Fazendo-nos,
Agora, ausências,
Sem tua presença,
No tic-tac, sem Tempo,
A nos consumir,
A nos resumir,
Sem nos redimir.

Neste a sós,
Sem nada mais
Sermos,
Sem nada
Vivermos,
Sem nada
Mais termos,

Acabando
O continuar
Permanente
De nós quatro,
Em nos tornamos
Instantes constantes
De saudades.

Essa saudade, sem fim,
Que nos confina,
Nos corrói, nos domina…
Aguardando, outra vez,
A TUA chegada,
Para de novo,
Nos encontramos.

sábado, 15 de fevereiro de 2025

Queda livre

Sáb - 14.03.2020 - 16h 16 m m

Na varanda 
de casa, 
Vendo o tempo 
Passar,
Sem me ver 
Passar 
Por ele,

Encontrei flores amarelas
Iguais diferentes.
No jardim
Do meu jasmim,
Enfeitadas de branco 
Prateado, de cores
Preta vermelha.

E assim 
Me vi passando 
Como tempo 
Que passa 
E não passa,
Passando por mim
Sem por mim passar,

No tempo,
Sem tempo.
E sem
Percebermos,
Passamos
Sem
Passar.

Parando o tempo,
Congelando pensamento,
Em segundo exponencial,
Na curvatura retilínea 
Da vida,
Com o corpo em 
Queda livre.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

Pele

Qua - 05.08.2020 - 10 h 17 m

Carícias, carinho,
Deslizar de mãos,
Toque afável,
Na contramão
Do corpo,
Sem mão contra
De corpos.

Mão alucinante,
Afáveis itinerantes,
Nas vias duplas únicas,
Sem vermelho, sem amarelo
No siga corpóreo,
Sem que o coração
Persiga.

Assim, vão as mãos,
Ora se tocando,
Ora se sentindo,
As cumplicidades
Tátil dinâmica-estático
Do desejo amor,
Do amor ensejo,

Que elas ensejam
E o coração deseja,
Entre o a querer
E o lhe querer,
Sem que os tatos sejam
E o sentimento veja
O que a pele sente.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2025

Caverna humana

Sab - 28.11.2020 - 10 h 10 m


O homem vai

A Marte,

Mas não esquece

As pedras que

Edificam

A

Morte.


O homem chega

À lua,

Que dantes

Era apenas

Dos namorados,

Mas continua o mesmo

Lunático de antes.


Se um dia pousar

No Mercúrio,

Era jamais se

Preocupará

Com te cure:

Ele será sempre

Me cure.


E quando em

Vênus estiver,

Ele gritará em 

Alto e bom som,

Até para os que não

Querem ouvi-lo:

Estou nem vendo:


Com seus neurônios

Conectados,

Com seu coração pobre

Coitado,

Suas mãos tecnológicas,

Fazendo de tudo um clique,

Perdidos em suas cavernas.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2025

Alguém viu?

 Dom 20.12.2020 - 16h 50 m


Alguém viu

A pedra que estava

No meio do caminho?

Não?

Mas ela continua

No medo invisível

De cada um.


Diga-me algo

José:

Nomeio-me,

Agora,

Amigo do rei.

Que me importa,

Tu, oh! pedra!


Se a cama do

Seu reinado

Me conforta

E nas crinas

Do seu Pegasus

Me

Transporto.


Alguém sabe

Com quem anda

A pedra que

Estava no meio

Do caminho?

Não venha me dizer

Que ninguém viu!