Dom - 27.10.2019 - 09 h 12 m
Por mais que insistimos
Em pintar a nossa vaidade,
O tempo, em sua viagem,
Sem fim,
Far-nos-á passageiros
Da idade, nas estações
Da nossa real idade,
Que o espelho do narcisismo
Revela o rosto enrugado,
Que a plástica persiste
Escondê-la, fortalecendo
O corpo em detrimento
Da alma, esquecendo
A idade da terra.
Esse dual dilema, que
Rejuvenesce o corpo,
Empobrece a alma,
De nada valerá a pena,
Se nós não o esquecermos
E não enobrecermos
A alma.
Pois é no finalzinho
Que tudo conta,
Já que o corpo
Veste a alma,
E o espírito despe
Os dois, quando
Tudo não mais existir:
Assim é o tempo, em
Sua meninice, desde
Que o mundo é mundo,
Sem nos revelar
Sua idade,
E nós, aqui, apagando
A velinha, sem repartir o bolo.