domingo, 28 de julho de 2019

A veste da nudez

Dom - 14.07.2019 - 04 h 28 m

O
AMOR
Veste
O sexo,
O sexo
Despe
O amor,

No
romance
Dos
amados,
Nas paixões
Dos
Amantes,

Assim vão
O
Amor
E o sexo,
Fazendo
Das paixões
Romance.

Se
Vestindo
De
Carinho,
Se
Despindo
De carícias,

No côncavo
Convexo
Do calor
Dos amantes,
No afresco
Rabiscado
Dos amados.

Assim vão
O
Amor,
Singularizando
A vida,
E o sexo, pluralizado,
Pulverizando o corpo.

Vestidos de Eros
Embriagados de Vênus,
Na cama de Afrodite
Assim vão esses deuses,
Despindo o amor de nudez,
E o amor
Vestindo os quatro.

segunda-feira, 22 de julho de 2019

Tenho

Sab - 13.07.2019 - 08 h 17 m

Tenho o espaço
Pra voar,
E tu  me prendes
Em tua gaiola,
Só para ouvires
O meu
Cantar.

Tenho o celeiro do mundo
Pra me alimentar
E tu me vens com
Tuas rações vitamínicas,
  pra ouvires melhor
O meu
Cantar.

Tenho companheira afora
Pra escolher,
E juntos podermos nos aninhar,
Nas árvores que bem quisermos,
Vens tu, e me isolas, só pra  ouvires
O meu
Cantar.

Mas, mesmo assim,
Te tenho,
Cuidando de mim,
Com teu bem querer
Na parede de tua casa,
Aguardando gaiola aberta,
Só pra  o meu  canto cantar.

segunda-feira, 15 de julho de 2019

Descontrução

Sab - 18.05.2019 - 09 h 30 m

Desarrumo
Pá, lavras,
Em bar alho 
Letras,
Nos versos dez
Arrumados,
Desconstruindo sem ti ido:

No me,
Sem sinônimos,
Vestígio de nuança
Nos és pelos, de todos,
Sem cabelos,
Sopra quem ler,
Em tenda.

E assim
Vou, construo, indo,
Nas dez construções,
Sem ida de minha, sem me
Preocupar se há tem pó
Pra se vir, ver: Enquanto
Existir, se rei, tu, Pois ia,

Vi vida
Sem ri, mas,
Que nas estrofes
Dos versos, sem beira,
São suave mente,
Existências, simples,
Doeu, em ti.

sábado, 13 de julho de 2019

Sou-te em mim

Sab - 06.07.2019 - 05 h 28 m

Nas ilhas da solidão,
Só então nunca estou,
Tenho-te, companheira,
No cais do meu abandono,
O lugar certo pra eu me atracar,
Meu ancorador em alto mar,
De braços abertos a me estreitar.

Nos arquipélagos da ilusão,
Os sonhos reais me são,
Dormindo ou acordado,
Sem pesadelos me seres,
Nas noites dias de ti.
Nos sóis luares dos lençóis
Dos teus aMares.

Nas enseadas oceânicas
Fazendo-me istmos
A todos os instantes,
Em tuas baías me
Encontro,
Nos encantos
Dos teus cantos.

Nas depressões da vida,
Por tuas pontes percorro,
Fazendo dos becos, sem saídas,
Ruas também  de nós dois,
Ultrapassando paredes, sem portas,
Que tuas comportas comportam.

Só assim eu vou me indo
Sem sozinho ter ficado,
Solto
Em ti,
Preso
Em
Mim.

sexta-feira, 12 de julho de 2019

Quantas

Ter - 11.06.2019 - 07 h 29 m

Quantas
Histórias
O
Silêncio
Deixou
De
Contar?

Quantas
Histórias
Os
Olhos
Deixaram
De
Ver?

Nos  calabouços
Mentais
Dos seus
Desejos títeres,
Ruminando
Até os pensamentos
Dos seus trastes
Carnais.

Aprisionando-os
Com seus medos,
Nas correntes
Dos seus
Horrores,
Nas torres
Dos seus castelos,

Mantidas a
Sete chaves,
E/ou guardadas
Nessas vidas
Sucumbidas,
Em pesadelos, hoje,
Existentes seus, vividos.

Quantas!
Envergonhando
A história,
Trajando de famas
Suas inglórias,
Com suas ultrajes
Infâmias, ainda.

Quantas estão
Sendo destruídas
Agora, para satisfazer
Uma mente insânia,
Na demência de
Nossas estórias,
Sem clemência,

Amordaçando
A boca
Com os pilares
Dos seus
Frívolos
Olhares.
Quantas? Quantas...

sábado, 6 de julho de 2019

Saudades

Dom - 02.06.2019 - 07 h 00 m

Saudade! Saudade!
Tu tens a idade
Dos meus.
Tu tens a idade
Dos seus,
Dos nossos
Tempos, sem lágrimas.

Quando,
Só a idade,
Só a idade
Do tempo sem
Tuas lágrimas,
Sem lembranças,
Em abraços de nós: Éramos.

Saudade! Saudade!
Lágrimas sem abraços
É o que nós somos,
Dos muitos que já
Não temos,
Nos abraços dos poucos
Com que ainda vivemos.

Sem sua idade
Na suave idade,
Só idade, sou idade.
Também,
Sou saudade
Das lembranças suas,
Sem lágrimas, agora.

Saudade! Saudade!
Ainda bem
Que você existe,
Para nos lembrar
E nos fazer viver
Os seres que tanto
Amamos.