sábado, 28 de março de 2020

Ilhas humanas

Dom - 22.03.2020 08 h 09 m

Pouco Tempo  Pra realizar Tudo;
Todo Tempo Pra nada fazer;
Visitas que não Se viam;
Sem agora Puder Vê-las,
Na bola da vez Chamada bolha:
Máscara, Agora, é rosto;
Álcool em gel Setenta,
Sabão, Detergente:Mãonia.

E muitos, Ainda, Fazendo Piada,
Sem quererem Achatar A curva:
CONTANDO seus mortos,
sem Despedidas, asfixiados 
PELA ECONOMIA, Transformando 
a saúde em caos. Sem que  Ninguém 
O convide, 19 faz Do 2020  
Uma grande  Pandemia.

Sem mamon, Sem muito O quê
resolver, Ante a carona Indesejável 
Desses microscópicos Seres letais:  
O BARRO lembra, AGORA, do
seu ESQUECIDO grande criador, 
Ante a fragilidade Do seu amanhã:
que Nem no tempo de noé,
presente, ainda, nas RUAS, hoje.

domingo, 22 de março de 2020

Janela

Dom - 22.12.2019 13 h 15 m

Na janela
Da saudade,
Vendo
As lembranças
Passarem,
No encontro
De mim comigo,

Na casa,
Sem porta,
Chamada
Coração,
Vivenciei
Todos os ti
Vividos por nós.

Vi você,
Se fazendo
Menino,
Se fazendo
Menina,
Nos fazendo
Crianças.

Vi o amor brotar
Em flor,
No enlace
Do seu beijar,
No seu jeito
Menina de
Ser mulher.

Depois daí,
Todos os meus mim
Se tornaram ti.
E por mais que
Eu olhasse pra mim,
Nada mais via, senão, ti
Na moça e rapaz que somos.

domingo, 15 de março de 2020

Ela

Dom - 08.03.2020 07 h 02 m

Somos homens,
No ser mulher
Todos os seus
Dias,
Na vida inteira
De sua
Divisibilidade.

Na visibilidade de
Nossa invisibilidade,
Desde seu ventre, ou não,
Ainda que abandonada,
Sozinha não se sentirá.
Por levar consigo
O seu próprio olhar.

Vem se o choro,
Criança se nos fazemos,
Seu berço nos tornamos,
Em açoites suaves dos
Seus amores, 
Entre canções de ninar
E afagos de sua  amabilidade.

Não mudando em nada nas
Intempéries da adolescência,
Nem muito menos
Nos temporais dos adultos,
Com raios de já cresci,
Com trovões de hoje 
Eu posso.

E nós, aqui,
Empolgados
Com os vendavais
Mundanos,
Deixamos de lado
As suavidades de
Suas brisas:

Logo,
Ela!
O melhor do nosso ele,
Que Deus a fez
Especial,
Constituindo-a de carne,
O que antes era só barro.

Mas, mesma, assim
Ela nos vem, com seus
Encantos de
Menina, Moça, mulher,
Nos ensinando o verbo
Amar, e nós, sem tempo, 
Para conjugarmos.

sexta-feira, 13 de março de 2020

Dez encontros

Sáb - 29.02.2020 -  5 h 14 m

Amor: 
É noite quente 
De verão, 
É frio intenso
Ardente da paixão, 
Sem importar a idade 
Do coração 

É fogo 
Que incinera 
A alma, 
Sem penetrar 
A carne, 
Divide a calma, 
Sem cicatrizar 
A flechada do Cupido, 

Quando os dois 
Se tornam um 
Nos braços de 
Suas camas 
Cobertas de suas peles, 
Sem férias de si 
Mesmos.

É tal e qual 
Uma canção 
De vida 
Entre corações 
Desligados
De
Tudo,

Trilhando
O desconhecido 
Das ilusões 
Perdidas, 
No tempo mudo 
Cego, surdo e nulo
De todos,

Nas irracionalidades 
Das razões contidas
Nos encontros e 
Dez encontros,
Das emoções incontidas,
Sem desencontro
De voceu, somente.

quinta-feira, 12 de março de 2020

Presente do homem

Sáb 22.02 .2020 - 04 h 04 m

Na época que o total 
Ainda era nada 
E o não,
Só sim,
Talvez,
Fosse
Ainda; 

As trevas 
Eram tudo 
Que de luz 
Havia; 
Caos
Só caos 
Existiam,

Nos abismos 
Do princípio 
Ao fim 
De suas 
inexistências,
Pelo quando,
Sabe-se lá quanto.

Até que uma voz,
Rompendo o tempo,
Ecoa-se  naquele instante 
E dantes 
O que vivia 
Sem forma 
E vazio, 

Logo, se transforma em
Totalidade ou coisa alguma,
Ao comando  imediato 
Do seu 
Criador,
Com sim sim 
Não não, 

Nas vidas 
e coisas por 
Ele 
Estabelecidas,
Nas noites e dias 
De cada amanhecer,
Com sol e Lua pra se viver.

O completo estava perfeito, 
No que antes, 
Era só desordem, 
Até que a criação de sua 
Imagem e semelhança 
Começou a querer se desfazer
De sua integralidade,

Querendo comer 
O que não lhe fora devido, 
Jogou fora o paraíso, 
Pelo capitalismo 
Do poder e do querer ter 
Da cobiça: Desobedecendo 
Numa boa, ao seu Alfa e Ômega.

Não se dando por 
Satisfeito,
Reduziu a humanidade, 
Em um quarto, 
Cometendo 
O seu segundo 
Crime.

E ainda tem gente 
Por aí,
Dizendo que as coisas 
De agora 
São fatos que 
Revelam o fim 
Do mundo,

Como se o começo
Da existência desses 
Animais, 
Que se proclamam
Racionais, 
Já não fosse assim:
Coitadinho dos irracionais.

sexta-feira, 6 de março de 2020

Escolhas

Dom - 09.02.2020 - 07 h 30 m

Você
Não é ter,
Nem possuir.
Você é ser
E estar,
No posso ir
Que quiser.

Você
Não é propriedade,
Nem objeto.
Você é a
Própria idade,
No sujeito de
Si mesmo.

Você
Não é vermelho,
Nem azul.
Você é o colorir Humano
Dos arcos-íris-preto branco
Da cor que você se pintar,
Nos desertos dos seus oásis 

Você
É o crer ser,
Sem ainda
Nem nascer,
Ao longo do seu crescer,
No seu vou ser 
De você mesma,

Sem querer
Que os outros
Te sejam,
Sem aos outros
Querer ter,
No ser você
Sem se ter.