sábado, 6 de janeiro de 2018

Socienada

Dom - 26.08.1990

Mundo cão,
Cão mundo,
Que se dane!
Não sou rei do mundo,
E nem fui eu que o fiz imundo.

É o que diz egocêntrica Sociedade!
Mas não vês pivetes de rua,
A se fartarem de fome,
No se enrolarem de jornais,
Entre quatro paredes mundanas.

Cerviz dureza tem teu coração!
Será que nem os capitães de areia
Te sensibilizam?
Não te contentas com o menor
abandonado,
Fazendo-o ainda menor viciado,
Indiciando-o no abc do crime.

Ainda dizes que não fizeste o mundo,
Mas a cada instante fazes vagabundo,
No incessante bater de porta em contínuos não,
Levando muitos aos imperceptíveis de seus eus,
Na viagem sem volta do universo das drogas,
Desajuste social e alcoolismo.

Tu não pintas somente o sete,
Mais o 14, o 13 e o 24,
Em nome do machismo exacerbado,
No destruir de quimeras
De príncipe encantado,
Em cinderelas que não são tuas.

De ti, nem os teus escapam:
Teus velhos, sempiterno peças
de museus,
Num sem tempo para visitá-los,
A cumprir de agendas abarrotadas
De noite society e fechamento de negócios.

Teus filhos, educados sem lar,
Chegam à adolescência toxicomaníacos,
Tornando-se adultos incorrigíveis,
Somente por que tu! Mesquinha Sociedade 
Nunca tivesse tempo de tê-los
E muito menos sê-los.

Teus negros, livres por conveniências,
Tornam-se escravos sociais,
Enjaulados em guetos desumanos,
Ou cercados de Ku-Klus-Klan,
Em nome de uma SOCIENADA impávida,
A gritos de apartheid.

É Sociedade, pra quem não fez o cosmo,
Até que soubeste moldá-lo
Nos teus doentios caprichos,
Proliferando-o de muito
João Sem-Terra,
Impregnado de
Zé ninguém.

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