quinta-feira, 6 de janeiro de 2022

Rastejo, dor, suor:

Sex - 12.10.2018 - 22 h 59 m

Tudo estava em perfeita ordem
Até que o pó se tornou falante.
Não um falante qualquer,
Mas o falante feito imagem e
Semelhança  de seu criador,
E pra ímpar não ficar,
O pó se fez par.

E pra não ficarem de
Cabelos assanhados,
Um ser pente apareceu
Lhe fazendo a cabeça, 
Lhe oferecendo maçã,
Entre uma conversa
E outra.

Não  uma maçã qualquer,
E nem muito menos a maçã
De Branca.
Mas a maçã do desejo
Insaciável do  poder
E do querer ser Deus,
E não o de querer o seu  Deus.

Triunvirato feito, de segunda,
Maçã, de primeira, comida,
Paraíso perdido, terceirizado,
Desculpas à parte, de quatro, de quarta,
Culpados, inexistentes, de quinta,
Nudez vestida, investida,
Amores desfeitos, na hora.

Sem ninguém pra se culpar,
Não pode o perdão haver.
E sem maçã ficaram os dois:
Com  o pão  que o serPente assou,
Cuspindo no prato que comeu,
Transferindo aos outros:
O amor de Julieta.

2 comentários:

  1. O poeta Ademir, com sua verve de sempre, no seu modo peculiar, conta-nos a história do primeiro pecado. Excelente!

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