sábado, 15 de fevereiro de 2020

Mãos

Ter – 30.10.2001 

Com o indicador:
Somos ilha autoritária,
A negação do tudo e nada,
Ilha de si mesmo.
Apontando erros alheios,
Sem atirar a primeira pedra.

Com o polegar:
Somos a encarnação:
Do bem e do Mal,
Da vida e da Morte,
Nas arenas romanas do ter,
Sem haver 3ª via.

Com o médio:
Tornamo-nos cúmplice do guerramor:
Somos grosseiros, mal-educados;
Íntimos, quando queremos,
E ansioso e feliz
No prenúncio do novo ser.

Com o anelar:
Fazemos o sonho de menino acontecer,
Letrando-nos na vidamor,
Na busca incessante do querer ser
E do bem querer,
Jogando o médio, quando o mal se quer.

Com o mínimo:
Somos os últimos,
Que serão os primeiros,
Os pequeninos do reino dos céus,
O maior ante todos os homens,
Se aprendermos a lição do amor.

Com os dedos fechados
E mãos vazias e cheias de iras,
Somos o açoite da agonia,
As noites frias de todos os dias,
A negação ardente de nossas carícias,
E a tristeza eterna de nossas alegrias.

Com um dedo, somos quase nada,
Com dois fazemos paz e amor,
Com quatro, trazemos-te para cá,
E te mandamos um beijo,
Com cinco nos cumprimentamos
E também nos separamos.

Com as duas mãos:
Ao senhor agradecemos,
Bênçãos alcançamos........
Porém, com quatro em diante,
O senhor estará no meio de nós,
Se de mãos dadas permanecermos.

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